Tudo está igual
As semanas passam a correr, e transformam-se em meses. Sem darmos por isso, os meses somam-se e passa mais de ano e, de repente, a última vez que tivemos juntos já foi há demasiado tempo.
Os trabalhos mudam, os amores são outros e até a cor do cabelo pode ter sido alterada. Há novas opiniões partilhadas, mesmas maneiras de ver o mundo e diferentes formas de o dizer. Isto de amizades em idade adulta dá-nos muita liberdade, mas às vezes resulta em passar um ano e meio sem encontros.
Naturalmente, depois de tanto tempo passado, o reencontro é feito de gargalhadas, conversas interrompidas, urgências de atualizações e novidades já-não-tão-frescas. Para quê perder tempo com conversas triviais quando o que se quer saber é como vai a vida. E não no sentido superficial da coisa, porque aqui, a honestidade tem o palco principal e o julgamento não entra em cena. É, como dizemos sempre, um espaço seguro - mesmo que às vezes uma confissão sincera venha seguida de uma gargalhada.
Acolhem-se novas pessoas, novas opiniões, novas maneiras de estar na vida. E responde-se com sinceridade à pergunta - "Já algum estranho mudou a tua vida?". Olha-se à volta da mesa: como não?
Desta vez, não há promessas de quando será o próximo encontro. Mas todos saem com uma certeza partilhada.
Tudo mudou desde a última vez - e, por vezes, isso é bem chato.
Só que depois olhamos uns para os outros e podemos suspirar de alívio: aqui, tudo está igual. Que bom.
M
PS: Esta crónica quase que é a "parte 2" de uma mais antiga - Reencontros bons. De novo, dedico-a aos meus amigos de sempre. Nem era preciso dizer nada.