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Designing My Dream Life

15 de Março, 2023

Quatro ao Piano

Outro dia sentei-me ao piano e estávamos 3: eu, o piano e a minha memória muscular.

Eu comecei a aprender a tocar quando tinha 5 anos, e continuei a ter aulas até aos 19.

O piano foi-me oferecido pela minha avó um bocadinho depois do início desta jornada de aprendizagem. Nos primeiros anos de aulas, a professora escrevia sempre nas avaliações: Falta um piano em casa!! O piano lá chegou e eu parei de ter uma desculpa para não treinar durante a semana.

A minha memória muscular é o que me permite dizer, Passados estes últimos 3 anos parada, que ainda consigo e sei tocar piano - ainda que com alguns erros pelo meio, está claro. É inacreditável como estas coisas funcionam. Eu posiciono as mãos em cima do teclado e elas mexem-se sozinhas, sem exigir que o meu cérebro pense no que está a fazer e sem necessidade dos meus olhos lerem a pauta à minha frente.

Quando parei com as aulas, parei também com o treino em casa. Recentemente, voltei a tocar, e apercebi-me desta maravilhosa memória muscular que as minhas mãos armazenam (sim, sei que na verdade esta informação está é armazenada no cérebro, mas para propósitos poéticos perdoam-me a imprecisão científica).

Recentemente, decidi voltar a tocar e tenho-me dedicado a rever músicas antigas e apercebo-me que essa memória muscular não me safa de toda a prática que não aconteceu nos últimos anos.

Quase que tive de arranjar um banco maior: agora, quando me sento ao piano temos de ser 4, para compensar todo o tempo que estive parada: eu, o piano, a minha memória muscular, e a minha paciência.

A minha paciência, confesso desde já, não é muita. Gosto de fazer as coisas bens à primeira e chateia-me não conseguir olhar para qualquer partitura e as minhas mãos saberem imediatamente o que fazer. Tenho estado a treinar músicas que há uns anos tocava com uma facilidade enorme, mas que agora exigem muita paciência da minha parte: tocar com a mão direita até não dar nenhum erro, tocar com a mão esquerda até sair um som limpinho, "juntar" as duas mãos e praticar, praticar, praticar!

Mas tenho de reconhecer que esta paciência, acrescida com uma dose generosa de persistência, já me deu alguns sorrisos ao teclado: corrigi os erros que a minha memória muscular tinha guardado, e retomei umas músicas que já não tocava há muito tempo.

Irei continuar a treinar com a certeza de que um dia vamos voltar a ser só dois: eu e o piano.

M