Quando nenhum cliché nos salva
Lá vamos monte acima à procura de clareza. Ecoa no nosso cérebro o famoso ditado que diz que o importante não é o destino, mas sim o caminho.
E assim subimos o monte, obcecados pelo caminho. À procura de algo que nem sabemos bem o que é. À procura de ganhar espaço interior ao mergulhar no espaço exterior. A ir lá fora para conseguir ouvir o cá dentro.


E sem darmos por isso, no meio de tantos pensamentos, chegamos ao topo. Tiramos uns minutos para refletir e apercebemo-nos que não há clareza, não há respostas, não há paz.
Nenhum cliché nos salvou.
Chegamos ao topo cansados - não da subida, mas do peso das expectativas que tínhamos de encontrar respostas e só termos o silêncio. Esperávamos revelações importantes e ficamos só presos num nó de pensamentos que não nos deixou encontrar mais nada.
Olhamos a vista e tudo está igual - vemos o mesmo, mas agora de um ponto mais alto. Nada se resolveu, nada mudou.
É nesse momento que nos apercebemos - não subimos para encontrar algo lá em cima, apenas para fugir do que estava lá em baixo.
Afinal, isto de subir o monte é mesmo como li algures um destes dias: “a paz que encontras no topo da montanha é aquela que levas contigo o caminho todo”.
M