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Designing My Dream Life

18 de Junho, 2025

Os famosos quadradinhos azuis

No último sábado passei uma manhã diferente: a fazer um workshop de pintar azulejos. Lá, conheci um casal americano que estava de férias por Portugal, e na sua primeira paragem - a bela cidade do Porto - decidiu mergulhar um pouco mais na cultura portuguesa e começou o dia a fazer, também, esta atividade. Pareceu-me a abordagem turística perfeita para os tão famosos azulejos do nosso país: não se limitarem a visitá-los, mas sim terem a possibilidade de "pôr a mão na massa".

A professora disponibilizou-nos desenhos para servir como base, e explicou-nos a técnica de pintura. Utilizamos Óxido de Cobalto, uma espécie de tinta lilás que, depois de ir ao forno, transforma-se naquele azul tão característico dos azulejos.

Gosto sempre de experimentar coisas novas, e esta manhã não foi exceção. O resultado final ainda está por revelar, uma vez que o processo de cozedura é demorado. Esta parte é também engraçada: a espera pelo fim, a confiança no processo e a diversão pelo caminho.

Ainda antes de começarmos, tivemos direito a uma pequena introdução histórica sobre estes famosos quadradinhos azuis. Foi nesse momento que me apercebi do quão pouco (sendo mais sincera... nada) sabia desta parte da história do nosso país.

Quem pensa em Portugal pensa logo nos azulejos - o que faz todo o sentido, tendo em consideração que esta é uma das "marcas mais distintivas daquilo que é a cultura portuguesa". Muitos espaços por todo o país - como palácios, igrejas ou até jardins - foram decorados com as figuras representadas nos pequenos quadrados com diferentes tons de azul. A maior parte deles traz memórias do passado, representando lendas e figuras históricas que mereceram, por algum motivo, ficar eternizadas na parede de determinado edifício.

Para além desta função de homenagem, e abordando a técnica de utilização numa vertente de construção, a aplicação de azulejos revela-se útil para contextos húmidos, caracterizando-se pela sua resistência e reduzido custo.

Convém, contudo, dizer que Portugal não é o dono nem inventor desta técnica. De facto, o uso dos azulejos remete-se ao tempo do Antigo Egito e da Mesopotâmia, tendo-se propagando por toda a Península Ibérica através da expansão geográfica e da manifestação da religião islâmica neste cantinho da Europa

Em Portugal, o uso massivo começa com uma visita do Rei D. Manuel I a Espanha, onde viu de perto azulejos que o impressionaram ao ponto de mandar revestir o Palácio Nacional de Sintra. Mais tarde, depois do terramoto de 1755, a reconstrução de Lisboa impõe um ritmo mais acelerado de produção de azulejos de padrão, que resultam de uma combinação de técnicas industriais e artesanais.

A partir do século XIX o uso de azulejos deixa de se limitar aos palácios e igrejas, passando para as fachadas  dos edifícios, ganhando mais visibilidade. No século XX, o azulejo entra nas estações de comboio e de metros - como na Estação de S. Bento, no Porto, que conta com mais de 20.000 peças a retratar excertos da história de Portugal.

Entretanto, a tradição tornou-se ainda mais corrente, surgindo como solução decorativa para as casas, nomeadamente nas cozinhas e casas-de-banho, revelando a resistência e inovação destes famosos quadradinhos azuis. 

Aos dias de hoje, os azulejos continuam a ser utilizados por todo o lado e, mais que isso, são um motivo de visita ao nosso país e uma fonte de admiração por todos que os veem.

M

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/uma-breve-historia-da-azulejaria-portuguesa/

https://comunidadeculturaearte.com/a-historia-do-azulejo-portugues/

https://www.nationalgeographic.pt/viagens/os-azulejos-da-estacao-sao-bento-que-resumem-a-historia-portugal_3511