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Designing My Dream Life

14 de Julho, 2025

Magia, direito, preguiça e ética

1. Magia

Para mim, que nada percebo de informática, a primeira palavra que me vem à cabeça quando se fala de Inteligência Artificial (IA) é magia. Queria poder-vos explicar como é que, afinal, a Inteligência Artificial funciona. A vertente matemática da coisa, vá. Mas tenho de confessar que nenhuma pesquisa foi frutífera o suficiente para conseguir cumprir esta minha missão.

2. Direito

Cabe-me, então, passar para o Direito - uma vez que neste domínio tenho mais alguma legitimidade para falar do tema.

Já dizia a anedota: os Estados Unidos criam, a China copia e a União Europeia regula. Claro que no domínio da IA não ia ser diferente. O Regulamento Inteligência Artificial foi "o primeiro quadro jurídico abrangente em matéria de IA a nível mundial", publicado em agosto de 2024.

Este regulamento estabelece um conjunto claro de regras baseadas na análise de risco para os criadores de sistemas IA, e faz parte de "um pacote mais vasto de medidas políticas destinadas a apoiar o desenvolvimento de uma IA de confiança" no mercado comunitário.

Mas como cada área do direito não existe num vácuo - a IA acaba por tocar noutros domínios. Por exemplo, se estiverem em causa dados pessoais, o mero cumprimento do Regulamento de IA não é suficiente. É preciso respeitar as obrigações previstas no Regulamento Geral de Proteção de Dados. Por outro lado, a utilização de IA também interfere com o Direito Laboral, impondo obrigações aos empregadores - nomeadamente no que diz respeito à comunicação da utilização de sistemas de IA para, por exemplo, processos de recrutamento.

3. Preguiça

Mas chega de falar de direito. Vamos, agora, falar de preguiça.

Um estudo do MIT vem mostrar que o perigo da resposta rápida e imediata não está na facilidade da solução em si, mas sim naquilo que o nosso cérebro para de fazer quando recebe essa resposta sem esforço. Chamam a isso a "preguiça metacognitiva" - quando o cérebro fica habituado a não se esforçar, entrando, assim, em piloto automático.

Como diz Helena Oliveira, no seu artigo "Cérebro em piloto automático: o perigo do Chat GPT "a literacia digital trouxe ganhos extraordinários, mas também uma nova forma de dependência". É que o Chat GPT não se limita a dar respostas - também se oferece a pensar por nós. E o que é que acontece quando paramos de pensar? 

4. Ética

Mas para além destas questões mais fisiológicas , com os constantes e rápidos desenvolvimentos da IA e todas as suas funcionalidades, parece-me que agora entra uma nova dimensão em jogo: a Ética.

Até que ponto é ético utilizarmos ferramentas como o Chat GPT para nos ajudar em tarefas quotidianas? E a partir de que ponto é que deixa de ser aceitável? Será que estamos a ser inteligentes ao utilizarmos as ferramentas ao nosso dispor que nos aumentam a produtividade, ou estaremos, tão só, a ceder à preguiça intelectual? 

Para os momentos de criação, o famoso dilema da folha em branco - que, vamos admitir, atrasa sempre o processo - desaparece com o surgimento de IA. Mas estaremos a ser honestos ao "entregar" algo que não foi (inteiramente, pelo menos) feito por nós?

Tenho de admitir que sou ávida utilizadora do Chat GPT, mas confesso que quanto mais reflito sobre estas questões menos vontade tenho de o utilizar. Não quero treinar o meu cérebro a não pensar. Não quero ceder ao facilitismo, só por ser mais prático. 

Estamos a viver num mundo onde já não conseguimos distinguir o que é real do que é falso. Torna-se importante parar para refletir que valores estamos dispostos a comprometer e a troco de quê. Esta responsabilidade cabe a cada um de nós. Vamos continuar a ter os olhos fechados?

M

Fontes:

Regulamento Inteligência Artificial | Shaping Europe’s digital future

https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/STUD/2020/641547/EPRS_STU(2020)641547_EN.pdf

https://ver.pt/cerebro-em-piloto-automatico-o-perigo-do-chatgpt/

 

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